Delacroix Escapa das Chamas

Distopia do jornalista Edson Aran se passa numa São Paulo futurista no melhor estilo cyberpunk.

Imagine a cidade de São Paulo num futuro distópico (fácil de imaginar), com muitas luzes de neon, automóveis futuristas, cabelos estroboscópicos e roupas extravagantes no melhor estilo cyberpunk. Pois esse é o cenário deste livro escrito pelo jornalista Edson Aran.

Ele conta a história de Wagner Kruppa, um crítico de arte pretensioso que se mete em algumas confusões (ler com a voz do locutor da Sessão da Tarde). Por causa de seu ofício, muitos artistas querem se vingar de suas críticas catastróficas. E assim, ele realmente acaba se metendo em confusões.

Delacroix Escapa das Chamas nos apresenta o Geneticismo, os Canibais Dadá, o Roboticismo e outras vanguardices artísticas que fogem da nossa compreensão (ainda bem!) em meio a revoluções e tentativas de golpe de Estado.

Além disso, tem o fato de que o presidente Frota vive em conflito com os monarquistas liderados por Dom Pedro III, e existe o risco de uma iminente guerra entre a França islâmica e o exército do Vaticano.

São quatro histórias que se interligam da forma mais edsonarânica que existe (se é que existe esse termo). Tudo isso ambientado em cenários claustrofóbicos que são as Shopping Cities, gigantescos edifícios-cubos cujas populações são tratadas como consumidores, e não mais da forma antiga e careta (habitantes).

Os personagens que permeiam o livro estão divididos entre privilegiados, que vivem nos tais Shopping Cities (quanto mais alto o andar da residência mais chique), e os párias, que vivem nas garagens (que quase ninguém vai lá).

Uma das histórias mostra como Kruppa chega a perder todos os créditos por causa de uma coisa muito idiota. Isso faz com que ele vire um pária na sociedade consumista e acabe tendo que viver entre os habitantes da garagem. Humilhação total para um consumidor que sempre viveu no luxo e cercado de amigos importantes.

O que me cativou nesse livro foi exatamente essa crítica à sociedade que, apesar de se passar no futuro, está cada vez mais parecida com a nossa.

Imagine se Blade Runner tivesse sido escrito por Jô Soares… Delacroix Escapa das Chamas seria o resultado.

SERVIÇO

Delacroix Escapa das Chamas, de Edson Aran
Editora Record (2009)

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