A Revolução dos Bichos – Uma sátira obscura da história e um reflexo do hoje

Um pouco sobre o clássico de George Orwell e o que podemos aprender com ele

Sempre ouvi falar muito bem de George Orwell mas nunca havia tido a oportunidade de ler um de seus clássicos. No ano retrasado finalmente consegui comprar um Kindle e então corri atrás de diferentes clássicos da literatura nacional e internacional, dentre eles estava Animal Farm (A Revolução dos Bichos). Já conhecia esta obra de nome, sabia de alguns pontos que Orwell levantava neste conto, mas não tinha ideia de que estaria vivendo um momento tão propício para ler essa sátira que chega a arrepiar quando a gente se dá conta do que a realidade pode ser.

Clássica capa de A Revolução do Bichos de George Orwell da edição da Companhia das Letras.
Clássica capa da Companhia das Letras.

A história se situa nas proximidades de Willingdon, na Inglaterra, em uma fazenda cujo o dono, Sr. Jones, é surpreendido por uma revolução causada pelos animais da fazenda. Os animais afugentam o fazendeiro inspirados pelo discurso e pela música Beasts Of England (Bichos da Inglaterra) do Major, um velho porco que em seu leito de morte deixou seus sonhos e essa mensagem de liberdade e igualdade para os animais que, ao ouvirem as suas últimas palavras, foram para a luta por tempos mais prósperos e livres da dominação dos seres humanos.

Após a morte do velho Major, os porcos Napoleão e Bola-de-neve começam a se reunir frequentemente e então criam os Sete Mandamentos da nova Fazenda dos Bichos e se dividem para ensinar os princípios do Animalismo. Os dois suínos são letrados e inteligentes, tentam passar seus ensinamentos para os outros animais, como ler, escrever etc. Porém, nem todos conseguem acompanhar a inteligência de Napoleão e Bola-de-neve que então resumem os mandamentos para os menos inteligentes da seguinte forma: quatro pernas bom, duas pernas mau. As ovelhas repetiam esse slogan sempre que achavam oportuno.



Em um certo momento Bola-de-neve tem a ideia de construir um moinho para levar a fazenda à prosperidade, seu companheiro é contra a ideia, o que começa a gerar uma disputa de poder entre os dois. Napoleão, literalmente, solta os cachorros para cima de Bola-de-neve que por pouco escapa com vida da fazenda. Após esse episódio o jovem porco nunca mais é visto e se torna o grande traidor perante os olhos dos outros animais. Um exemplo a nunca ser seguido.

Um tempo depois, Napoleão se apodera da ideia do moinho e então começa a arquitetar a sua construção. As reuniões que antes eram para todos os animais agora ficam restritas somente aos porcos, que começam a espalhar as notícias de que comercializar com outros agricultores e outros seres humanos é uma boa possibilidade de lucro, tudo que havia sido dito de mau sobre os seres humanos antes eram apenas ideias distorcidas do traidor Bola-de-neve.

Com esses três parágrafos já dá pra ter uma ideia para onde a história do livro vai nos levar e o que vai nos ensinar. É bizarro ler esse livro e ver como certas coisas que estamos vivendo hoje se entrelaçam. George Orwell se inspirou na ditadura da União Soviética, criada por Stalin, para desenvolver a trama e fazer a sátira. O livro conta com diferentes reviravoltas e as analogias são brilhantes e com um final obscuro e sinistro, de deixar qualquer refletindo bastante sobre a vida dos pobres animais no meio da ditadura dos porcos e toda a carnificina moral e física que acontece.

George Orwell - Foto clássica do autor.
George Orwell – Foto clássica do autor.

Recomendo essa a obra para todos os que queiram adentrar o universo de George Orwell, acredito ser um ótimo livro de entrada. O autor britânico é muito conhecido por suas críticas sociais e histórias sinistras baseadas na nossa história e realidade. É um ótimo livro para mostrar o que o autoritarismo pode destruir com tanta rapidez e com uma arma muito simples de manipular: a ignorância.

O livro ganhou duas versões cinematográficas, uma em 1954 e a outra em 1999.

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